Jesus é mesmo suficiente no aconselhamento cristão?
Em meio a tantas vozes, diagnósticos, terapias, novas tendências e uma enxurrada de cursos sobre o tema aconselhamento e libertação, possivelmente assim como eu muitos cristãos sinceros têm se perguntado: será que a Bíblia ainda é suficiente para lidar com os dilemas profundos da alma humana? A pergunta é legítima. Afinal, quando vemos tantos irmãos dizendo coisas como: “Eu sou alcoólatra em recuperação”, ou “Eu sou um codependente emocional”. Não deve ser difícil imaginar que, ao encontrarmos pessoas com esse tipo de afirmação, nossa resposta imediata seja apontar rapidamente para aqueles que consideramos os “profissionais” capazes de resolver esses problemas. Parece que algo diferente passou a ocupar o centro da identidade. Sem percebermos nossas fontes para essas respostas, muitas vezes, estão carregadas de humanismo (centralizadas em homens).
É como se o que Cristo fez já não fosse mais suficiente para nomear quem somos e dar significado à nossa vida. A equação é esta: a cruz perde lugar para um diagnóstico, e o arrependimento dá lugar à manutenção de sintomas.
Essa confusão, na verdade, é antiga. Quando Israel saiu do Egito, não levou apenas ouro e prata, ele levaram também as ideias. Sim, o texto de Êxodo fala sobre bens materiais (Êx 12.35-36), mas o que fizeram com esses bens mais tarde? Construíram um bezerro de ouro. Pegaram o que tinham visto no Egito e transformaram em um deus baseado em suas crenças.
O que está em jogo?
Esse debate vai além de preferências por uma abordagem ou outra. O que está em jogo é algo muito mais profundo. A pergunta que devemos fazer é: a prática de aconselhamento que carrego, seja no gabinete, numa conversa ou numa oração, está sendo moldada pelas Escrituras ou por outros padrões?
Talvez, ao ler isso, você pense que seja uma visão demasiadamente radical. Mas a verdade é que poucos de nós conseguimos perceber o quanto da nossa cosmovisão bíblica já foi contaminada pelo secularismo e animismo.
Afinal o que é aconselhamento cristão?
Não dá para seguir com esse assunto sem antes alinhar o que estou dizendo. Quando falamos de “aconselhamento cristão”, não estamos falando de qualquer terapia com uma oração no final. Estamos falando de algo centrado em Cristo, que parte da cruz, caminha com o Espírito e aponta para a glória de Deus.
Na narrativa bíblica, Cristo é o conselheiro.É dEle que vem a esperança, a direção, a cura.Ele é quem morreu por nós. Ele é quem intercede hoje por nós.E Ele é quem voltará por nós.É por isso que Paulo escreveu: “Cristo em vós, a esperança da glória.” (Colossenses 1.27)
A primícia e a máxima do aconselhamento cristão devem apontar claramente para Jesus o libertador e Jesus o salvador. Nada além disso!
Sabemos que todas as seitas evangélicas seguem, de algum modo, o mesmo padrão:
“Você precisa de Jesus… e de mais alguma coisa para alcançar a salvação.”
E o alerta é sério: podemos facilmente transformar nossos métodos de aconselhamento em seitas, quando Jesus já não é mais suficiente para as respostas que a humanidade busca.
A identidade do crente está em Cristo
Quando alguém em Cristo se deixa definir por um rótulo sem prazo de validade para acabar com um termo terapêutico, como: “sou alcoólatra” ou “sou codependente” . Algo perigoso pode acontecer: aquilo que, biblicamente, deveria ser tratado como pecado passa a ser incorporado à identidade da pessoa.
Da mesma forma, a dor pode se tornar quem a pessoa é, e não apenas algo que ela viveu. Mas, ao lermos sobre os inúmeros personagens bíblicos, percebemos que, a partir do momento em que Deus toca suas vidas, não vemos um padrão de pessoas definindo a si mesmas com base nas suas feridas. Pelo contrário, a Bíblia responde de forma totalmente diferente.
Ela nos chama de novas criaturas:
“Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”— 2 Coríntios 5:17
Isso não se trata apenas dos rótulos que aceitamos usar, isso também pode estar baseado nas pessoas que sempre estão buscando por “algo mais”. É o dilema de tantos hoje: querem as bênçãos de Deus por meios humanos, mesmo já tendo em Cristo tudo o que precisam.
A Palavra nos lembra:
“De sua plenitude todos nós recebemos, e graça sobre graça.” (João 1.16)
A raiz da crise: A depravação do homem e da graça de Deus
As principais correntes filosóficas defende que o ser humano possui um potencial inato para o bem, crescimento e autorrealização, acreditando que, se livre de pressões externas e traumas, o ser humano tenderá ao equilíbrio e ao desenvolvimento saudável.
“O indivíduo tem dentro de si vastos recursos para se autocompreender e alterar seu autoconceito, suas atitudes e seu comportamento.”
Mas a Bíblia diz o oposto sobre isso, ela afirma que o coração é enganoso, que somos escravos do pecado sem Cristo, e que a salvação vem de fora, não de dentro. Segue algumas referências para que possamos refletir:
O coração é enganoso
“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” Jeremias 17:9. O ser humano não pode confiar plenamente em seus sentimentos, intuições ou desejos, o coração precisa ser regenerado por Deus.
Somos escravos do pecado sem Cristo
“Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo o que comete pecado é escravo do pecado.” João 8:34. Jesus mostra que o pecado não é só um ato isolado, mas um cativeiro espiritual do qual só Ele pode libertar.
“Porque pela graça sois salvos, mediante a fé; e isto não vem de vós, é dom de Deus; não de obras, para que ninguém se glorie.” Efésios 2:8-9. A salvação não nasce da força interior do ser humano, mas é um dom sobrenatural que vem de Deus para nós.
Basicamente isso significa que rejeitar isso é rejeitar o evangelho.Trocar o poder do Espírito pela sabedoria dos homens pode parecer sensato, mas é ineficaz, e pior é antibíblico.
Conclusão “As pessoas não podem mudar?”
Se acreditarmos que as pessoas não são responsáveis por suas ações e que não podem mudar, então não há razão para aconselhá-las.
Esse pensamento parece duro, mas ele toca numa ferida real. Muitos desistiram de ajudar pessoas porque já não acreditam que Deus transforma. E quando tiramos Deus da equação, a mudança de vida se torna um mito. Pense no casamento em crise, o jovem em depressão, o viciado. Todos são colocados numa categoria sem saída. Mas a Palavra de Deus diz outra coisa. Ela afirma que Deus nos deu tudo o que precisamos para a vida e a piedade (2 Pedro 1.3). Tudo!
Convido os leitores a fazerem uma escolha consciente, pois, ou a Palavra é totalmente suficiente, ou é insuficiente. Não há meio termo.
Se confiamos que Deus fala, transforma e age por meio dela, então o aconselhamento precisa voltar a ser ministerial, bíblico e cheio de Cristo. O evangelho não precisa de retoques, a cruz não precisa de um substituto e a graça não precisa de rótulos modernos.
“Cristo é suficiente. E Sua Palavra é viva. E por isso, há esperança.”
Noel Week – https://answersingenesis.org/bios/noel-weeks/?srsltid=AfmBOorExWHhfgubMQZgsGtyX59QyNYth1-2k-yNg68DtRRD6YXG-t1L
Dr. Ed Hindson – https://www.legacy.com/us/obituaries/legacyremembers/ed-hindson-obituary?id=35585016
Totally Sufficient, The Bible and Christian Counseling – https://www.perlego.com/book/1975827/totally-sufficient-the-bible-and-christian-counseling-pdf
DR. HOWARD EYRICH – https://howardeyrich.com